22.2.10

Cláudia Nogueira ou a Liberdade de uma Mentecapta


A directora executiva da Lift Consulting, empresa portuguesa de relações públicas contratada pelos McCann, resolveu escrever um artigo (?), no blogue do seu patrão, Salvador da Cunha, onde zurze sem dó nem piedade no ex-Coordenador Criminal da Polícia Judicária, Gonçalo Amaral.

Mais grave do que isso, a senhora – que, pelo teor do texto, manifesta, na minha opinião, comportamentos típicos de uma mentecapta – arroga-se o direito de ser a juíza definitiva sobre o que é a Liberdade de Expressão.

Para além de revelar uma petulância sem limites, Cláudia Nogueira devia era ter vergonha e ficar bem caladinha. O seu trabalho, como directora executiva de uma empresa de relações públicas, é exactamente contrariar e distorcer a informação que é publicada, nos jornais, sobre os seus clientes.

Até o sr. Pereira, um alentejano simples e com escassa instrução, comunista dos quatro costados e dono de um pequeno café, ali em Alcochete, onde resido quando estou em Portugal, sabe que uma empresa de relações públicas serve para “branquear” a imagem dos seus clientes e fazer “contra-informação”, quando quem lhe paga aparece nos jornais pelas piores razões.

E vem esta mentecapta armar-se em paladino da Liberdade de Expressão, a dar lições lá do alto da sua cátedra, como se alguma vez tivesse feito frente a tentativas de coartar esse direito fundamental de qualquer cidadão. Lamentável, no mínimo.

Mais lamentável – e vergonhoso – é o facto de a senhora escrever no blogue do patrão, permitindo que se conclua que é apenas a voz do dono, “ladrando” a quem este manda, como fazem os cachorinhos bem treinados.

Além do mais, a senhora ou é uma ignorante em matéria de Direito ou escreveu o texto com má-fé, falsificando a realidade e mentindo. Afirma a senhora que Gonçalo Amaral é “um homem condenado por maus-tratos infligidos a testemunhas”. Completamente falso.

Por favor, haja alguém que faça um desenho e o mostre à Cláudia Nogueira, para ela perceber que só se é condenado quando há uma sentença transitada em julgado – ou seja, quando se esgotaram todos os recursos e a sentença foi confirmada pelos tribunais de última instância.

E, cúmulo dos cúmulos, naquilo que aparenta ser uma demonstração de falta de inteligência, escreve a senhora que Gonçalo Amaral é “o homem que, escondendo-se nos valores da liberdade de uma democracia, falha na essência, ao não aceitar democraticamente outras leituras de um mesmo tema.”

Confesso que nunca li uma imbecilidade tão grande. Gonçalo Amaral, pelo que é público, aceita outras leituras do tema em causa – o desaparecimento de Madeleine McCann. Tanto que não processou ninguém que faça essas outras leituras. Mas – e nisso estou completamente ao lado de Gonçalo Amaral – ele acha-se no direito de ter uma opinião diferente e de a expressar.

A pobre da Cláudia Nogueira, que deve ter escrito o artigo por ordens do patrão, diz que Gonçalo Amaral está a “prostituir” a Liberdade de Expressão, “ao querer com ela convencer-nos que pode mesmo fazer (e dizer) o que quiser.” Minha cara Cláudia Nogueira, você é que está a prostituir a Liberdade de Expressão, ao escrever enormidades como esta.

“Felizmente, ainda há advogados que discutem o tema no local certo e pela forma objectivamente prevista na Constituição, e aceitando à partida e independentemente da sua convicção, que qualquer resultado é possível. E Juízes que, perante o óbvio, decidem que a liberdade tem simplesmente demasiado valor.”

Com isto, que você escreveu no último parágrafo do seu texto (?), concordo. Já agora, aconselho-a a mudar de emprego. Porque como directora executiva de uma empresa de relações públicas, você é um perfeito desastre. Quase tão grande como o seu patrão, Salvador da Cunha, que mais parecia um guarda-costas rasca do que um especialista em relações públicas, na sua patética intervenção, quando os McCann estiveram em Lisboa.

5 comentários:

aacg disse...

Deixei este comentario na pagina do blog de Joana Morais :
Li o "artigo" de CN que soa muito à ID. Nele diz-se que "É um homem sobre quem pesa uma queixa contra as suas acções (más, por sinal, já que ninguém pode aceitar uma polícia que arranca literalmente das suas testemunhas a confissão do que quiser…)no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem"
Qual queixa e por quem ?

astro disse...

Também não seja assim, Paulo. Há dias em que uma pessoa acorda com os pés de fora da cama... e a partir daí, é sempre a descer.

Ou como dizia a ilustre Dra. Fátima Oliveira Esteves: quando não temos razão, disparamos em todas as direcções.

Fora de brincadeiras, toda a gente - mesmo a Sra. Cláudia Nogueira - tem direito a uma opinião. Convém é baseá-la em premissas factualmente correctas, senão corre-se o risco de fazer figuras tristes.

Mesmo muito tristes.

de Matos disse...

ESTOU COMPLETAMENTE DE ACORDO COO O PAULO E FELICITO-O VIVAMENTE PELA SUA EXCELENTE CRÓNICA.
Essa sra. precisava de um bom correctivo verbal,e o Paulo "chegou-lhe" como merecia.
Os meus cumprimentos...bousse

Paulo Reis disse...

Meu caro "aacg":

Essa afirmação da Cláudia Nogueira parece-me resultar de uma confusão... O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem é um tribunal de recurso, uma espécie de supra-última instância, que só aceita casos que tenham transitado em julgado nos respectivos países, pelo que sei.

Ou seja, no caso de Portugal o TEDH nunca aceitaria uma queixa contra Gonçalo Amaral. Apenas aceitaria um pedido de recurso sobre uma sentença do Supremo Tribunal de Justiça ou do Tribunal Constitucional que tivesse ilibado Gonçalo Amaral de algo de que ele tenha sido acusado e julgado.

Ora, que eu saiba, ainda nenhuma sentença relacionada com os alegados casos de maus-tratos a testemunhas, alegadamente perpretados e/ou encobretos por GA transitou em julgado.

Paulo Reis

aacg disse...

Obrigada, Paulo, por ter respondido. Agora o dono da Lift etc. está a subentender claramente que a policia portuguesa "pode andar sem seguro no carro, deixar de pagar impostos e segurança social, deixar de pagar as suas dividas e ameaçar as pessoas a seu belo prazer" !
Bonito !