17.3.18

Madeleine McCann pode ter morrido antes do dia 3 de Maio de 2007

Investigadores britânicos escreveram à Procuradora-Geral da República

Um grupo de investigadores britânicos, que inclui também alguns portugueses, tem vindo a analisar o caso do desaparecimento de Madeleine McCann, desde há cerca de dez anos. O grupo, que é constituído essencialmente por ex-polícias, ex-investigadores criminais e analistas de informação, inclui ainda alguns especialistas em fotografia digital, advogados, solicitadores, tradutores inglês-português, etc, etc.

Em Junho de 2017, o grupo enviou cartas à Primeira-Ministra Teresa May e à comandante da Metropolitan Police Cressida Dick, onde criticavam a forma como as investigações da polícia britânica tinham sido levadas a cabo, até então. No entanto, as cartas apenas receberam uma resposta formal, dando conta de que o seu conteúdo iria ser transmitido às autoridades policiais encarregues da investigação.

No passado dia 6 de Março, o mesmo grupo de investigadores decidiu enviar uma longa carta à Procuradora-Geral da República, Drª Joana Marques Vidal, dando conta detalhada das suas investigações e das novas conclusões a que tinham chegado.

Essas conclusões são consideradas “importantes”, por um dos elementos do grupo que falou conosco e, na sua opinão “poderão contribuir para ajudar os investigadores portugueses a descobrir o que aconteceu à Maddie”.

Em síntese, essas conclusões apontam para o facto de ser quase certo que a criança tenha morrido entre a tarde de Domingo e Segunda-Feira, dias 29 e 30 de Abril e que, depois disso, se tenha colocado em curso uma manobra de ocultação da realidade, com a tese do rapto.

Um dos aspectos salientado na carta é a questão da chamada “última foto” da Madeleine, acima reproduzida. Foi divulgada pelos McCann 3 semanas (?) depois do desaparecimento e mostra Gerry McCann, de óculos escuros, a Maddie e a Amélie, à beira da piscina do Ocean Club. Segundo os McCann, a foto foi tirada no dia 3 de Maio, quando a criança desapareceu.


À hora do almoço de quinta-feira, dia 3 de Maio, o céu estava nublado e o tempo frio (17 graus ºC). Isto pode ser comprovado através de um conjunto alargado de dados meteorológicos e fotografias. Em contraste, o tempo no domingo, à hora do almoço (dia 29 de Abril) estava ensolarado e bastante quente (21 graus ºC). Na segunda-feira, uma frente fria trouxe tempo mais frio e nublado, com alguma chuva. Este estado do tempo manteve-se até sexta-feira (4) (33).” - refere-se, na carta enviada à PGR, onde se levantam dúvidas sobre a veracidade da data em que a foto teria sido tirada.

Por outro lado, na extensa carta, os investigadores britânicos salientam que, entre Domingo e a data do desaparecimento, não há testemunhas que possam ser consideradas absolutamente credíveis que tenham visto a criança – isto é, apenas os pais, os amigos dos McCann e uma ama, Catriona Baker, confirmam ter visto Madeleine depois de Domingo. Curiosamente, Catriona Baker surge, já em 2006, como amiga no Facebook da filha de Jon Connor, padrinho de Amélie e amigo íntimo dos McCann. Mais tarde, pouco depois de os McCann regressarem a Inglaterra, esteve em casa deles durante vários dias.

Estes são alguns dos pontos que, à partida, são mais destacados na extensa carta. No entanto, são também abordados uma série de outros aspectos, que constituirão, de acordo com as conclusões, peças integrantes da “construção” da tese do rapto, nomeadamente a “criacção” de suspeitos e a manobra premeditada para inculpar Robert Murat pelo desaparecimento de Madeleine McCann.


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